segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Precisamos falar sobre cesária

Quem me conhece pessoalmente já deve ter me ouvido profanar meu ódio pela cesariana. Muita gente vai dizer que temos que respeitar as decisões da mulher, que ela é dona do próprio corpo e se ela quiser fazer cesariana temos que respeitar. A mulher é sim dona do seu próprio corpo MAS o que acontece hoje em dia é uma epidemia de cesariana, isto é, mais da metade dos partos realizados hoje são cesarianas. E por quê isso é um problema?
É um problema primeiro porque a maioria dos médicos realizam a cesária sem necessidade, apenas pela facilidade do procedimento. A cesária é uma cirurgia com hora marcada, ou seja, o médico tem tempo pra se planejar, sabe o que deverá ser feito (o procedimento acaba se tornando algo mecânico), além de permitir que o médico realize várias cesárias em um único dia gerando assim mais lucro. Segundo porque a mãe deixa de ser uma mãe em trabalho de parto e passa a ser apenas um número de quarto, que em poucas horas após a cirurgia irá para casa. Terceiro porque muitas mães sofrem violência obstetra durante o procedimento , o que pode gerar até depressão pós-parto em casos mais graves.
Esses três problemas na minha opinião são os principais problemas do porque devemos problematizar a cesária hoje no Brasil. Na maioria dos casos as mães vão com a ideia de ter um parto normal ou um parto humanizado, mas os médicos acabam contando algumas mentiras como:

- "Você é muito pequena e o seu bebê é muito grande, se fizermos parto normal seu bebê pode morrer"
Mentira. Nenhuma mulher gera um feto maior do que seu útero irá aguentar.

- "O seu quadril é muito estreito, seu bebê não irá passar."
Mentira. O quadril da mulher em trabalho de parto se desloca para que o bebê possa passar.

- "O seu bebê está com o cordão umbilical em volta do pescoço ele pode morrer"
Mentira. Essa coisa de cordão enforcando o feto é história pra boi dormir.

Essas são algumas das mentiras que muuuuuuitos médicos contam para suas pacientes desistirem do parto normal. A cesária é indicada em apenas 4 situações:

1. Prolapso de cordão (consiste na deslocação do cordão para dentro do canal de nascimento, à frente da cabeça do feto, podendo impedir o fornecimento de sangue e oxigênio, ou seja, a vida do bebê entra em perigo)

2. Deslocamento da placenta

3. Placenta prévia

4. Bebê Transverso

São essas as situações em que a cesária deve ser realizada pois são situações de risco tanto para a mãe como para o bebê, qualquer outra afirmativa como risco de anemia, risco de parto prematuro, cesária anterior, etc...não passam de mentiras.
Existe um quarto problema por trás dessa epidemia de cesárias: a falta de amor. COMO ASSIM? Eu explico. Quando a mulher entra em trabalho de parto de forma NATURAL ela produz um hormônio chamado ocitocina. Talvez você já tenha ouvido falar dele como "hormônio do amor" e pois bem, ouviu certo. Esse hormônio é responsável pelas contrações, pela liberação do leite materno, reduz o sangramento durante o parto e, o mais importante, desenvolve o apego e a empatia entre as pessoas.
Mas veja só, esse é um hormônio produzido de forma natural pelo nosso corpo, uma vez escolhido a cesária, esse hormônio não é produzido pelo corpo e o que os médicos fazem? Eles aplicam ocitocina produzida artificialmente na mãe.





Referências:
O renascimento do parto - documentário brasileiro que problematiza a questão da cesária no país e no mundo
Ocitocina
Deslocamento de placenta
Prolapso do cordão umbilical
Indicações absolutas de cesária
Parto normal X Cesária
Indicações de cesariana II


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